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Papa Leão XIV publica encíclica histórica e pede perdão pelo papel da Igreja na escravidão

Foto: Vatican Media/Divulgação

Pela primeira vez na história da Igreja Católica, um papa pediu perdão explicitamente pelo envolvimento institucional do Vaticano com a escravidão. O gesto histórico foi feito pelo Papa Leão XIV nesta segunda-feira (25), durante a publicação de sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas (“Magnífica Humanidade”).
No documento, o pontífice reconhece que a Igreja demorou séculos para condenar formalmente a escravidão e admite que autoridades eclesiásticas legitimaram a submissão de povos considerados “infiéis” ao longo da história.
Segundo o texto da encíclica, esse passado representa uma “ferida na memória cristã”. Leão XIV afirma ainda que a Igreja precisa encarar sua própria responsabilidade histórica:
“Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”

Pedido de desculpas é considerado inédito

Embora outros papas tenham condenado o tráfico negreiro ou lamentado abusos cometidos por cristãos, especialistas apontam que esta é a primeira vez que um pontífice:

  • reconhece diretamente a responsabilidade institucional da Igreja;
  • admite a legitimação histórica da escravidão pelo Vaticano;
  • pede perdão formal em nome da Igreja Católica.

A encíclica menciona documentos papais emitidos entre os séculos XV e XVI que autorizaram conquistas coloniais e a escravização de povos não cristãos. Entre eles estão as bulas Dum Diversas e Romanus Pontifex, frequentemente associadas à chamada “Doutrina da Descoberta”.

Inteligência artificial e “novas formas de escravidão”

Apesar do forte peso histórico do pedido de desculpas, o foco principal da encíclica é a relação entre dignidade humana e inteligência artificial.
O documento, intitulado oficialmente “Sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”, faz um alerta sobre o poder das grandes empresas de tecnologia, o uso militar da IA e o que o papa chamou de “novas formas de escravidão”.
Segundo Leão XIV, a tecnologia não é neutra e pode ampliar desigualdades sociais, exploração econômica e controle político. O papa critica o “paradigma tecnocrático” e afirma que algoritmos não podem substituir a consciência moral humana.

A encíclica também denuncia:

  • a exploração de trabalhadores na mineração de “terras raras” usadas na indústria tecnológica;
  • a concentração de poder nas big techs;
  • o colonialismo digital baseado na coleta massiva de dados;
  • o uso bélico da inteligência artificial;
  • a desumanização causada pela dependência tecnológica.

Em um dos trechos mais comentados, Leão XIV propõe um “jejum de IA”, especialmente entre jovens, para preservar a capacidade humana de reflexão crítica.

Uma encíclica comparada à “Rerum Novarum”

Analistas do Vaticano já comparam Magnifica Humanitas à histórica encíclica Rerum Novarum, publicada pelo Papa Leão XIII em 1891 e considerada um marco da doutrina social da Igreja diante da Revolução Industrial.
A nova encíclica foi publicada no aniversário de 135 anos daquele documento e busca posicionar a Igreja diante dos desafios éticos da era digital.

Repercussão mundial

O pedido de perdão teve repercussão imediata na imprensa internacional e entre movimentos ligados aos direitos humanos e à reparação histórica.
Leão XIV, primeiro papa nascido nos Estados Unidos, também chamou atenção por sua própria história familiar: investigações genealógicas divulgadas após sua eleição mostraram que ele possui ancestrais tanto entre pessoas escravizadas quanto entre famílias escravistas.
Para historiadores e teólogos, a declaração representa um dos mais importantes gestos de autocrítica já feitos pelo Vaticano sobre seu papel durante a expansão colonial europeia.

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