SC entra em alerta para super El Niño
Governo prepara medidas preventivas diante do risco de chuvas extremas e desastres climáticos no Sul do Brasil

O Governo de Santa Catarina colocou o estado em alerta diante da possibilidade de um novo e intenso episódio de El Niño atingir o Sul do Brasil nos próximos meses. Meteorologistas vêm monitorando o aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, fenômeno que já começa a provocar preocupação entre órgãos de defesa civil, setor agrícola e autoridades estaduais.
Fenômeno pode ganhar força no segundo semestre
A principal preocupação está relacionada ao risco de chuvas extremas, enchentes, enxurradas, deslizamentos e temporais severos entre o inverno e a primavera de 2026. Modelos climáticos indicam que o fenômeno pode alcançar intensidade semelhante — ou até superior — à registrada em 2023, ano marcado por enchentes históricas em cidades catarinenses e pelo agravamento de eventos extremos em toda a região Sul.
Diante do cenário, o governo catarinense decretou alerta climático preventivo por 180 dias e iniciou uma série de ações emergenciais. Entre elas estão a criação de uma força-tarefa estadual, reforço das equipes da Defesa Civil, monitoramento meteorológico ampliado, treinamento de municípios e investimentos em barragens, drenagem e desassoreamento de rios.
Serra Catarinense também preocupa
Segundo especialistas, o aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação atmosférica e favorece a formação de corredores de umidade sobre o Sul do Brasil. Historicamente, anos de El Niño costumam trazer volumes de chuva muito acima da média para Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A Serra Catarinense também entrou no radar das autoridades. Em cidades como Lages, a preocupação envolve enxurradas urbanas, danos em estradas rurais, deslizamentos localizados e prejuízos agrícolas, especialmente em culturas de inverno e na pecuária.
Primavera deve ser período mais crítico
Embora os meteorologistas alertam que ainda não seja possível prever a dimensão exata dos impactos, o consenso entre os órgãos técnicos é de que o risco climático para o segundo semestre de 2026 é elevado. O período entre agosto e novembro é apontado como o mais crítico, já que a primavera costuma intensificar a ocorrência de temporais, vendavais e eventos extremos no Sul do país.
O receio das autoridades ganhou força após as tragédias climáticas recentes que atingiram o Sul do Brasil, especialmente as enchentes históricas registradas no Rio Grande do Sul em 2024. Desde então, estados da região passaram a adotar protocolos mais rigorosos de prevenção e resposta rápida para situações de desastre.
Defesa Civil orienta população
A Defesa Civil orienta a população a acompanhar os alertas meteorológicos oficiais, revisar sistemas de drenagem, evitar áreas de risco e manter planos de emergência familiares prontos para eventual necessidade de evacuação.
Para especialistas, a antecipação das medidas mostra uma mudança de postura dos governos diante do avanço dos eventos climáticos extremos. A avaliação é de que o Sul do Brasil pode enfrentar, nos próximos meses, um dos períodos meteorológicos mais delicados dos últimos anos.
